Igrejas em Barcelona

Templo Expiatório da Sagrada Família

9.7/10

O Templo Expiatório da Sagrada Família, conhecido simplesmente como a Sagrada Família, é um grande templo de Barcelona (Espanha), desenhado pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí, e considerado por muitos críticos como a sua obra mestra, e o máximo expoente da arquitetura modernista catalã.

O projeto foi iniciado em 1882, e assumido por Gaudí em 1883, quando tinha 31 anos de idade, dedicando os seus últimos 40 anos de vida, os últimos quinze em exclusiva. A catedral, que deveria ter sido financiada principalmente à base de doações dos habitantes da cidade, foi paralisada em 1936 devido à Guerra Civil Espanhola.

A construção começou em estilo neogótico, mas o projeto foi reformulado completamente por Gaudí ao assumi-lo. O Templo foi projetado para ter três grandes fachadas. A fachada da Natividade, quase terminada com Gaudí ainda em vida, a fachada da Paixão, iniciada em 1952, e a da Glória por realizar-se. Segundo o seu proceder habitual, a partir de esboços gerais do edifício improvisou a construção à medida que avançava.

Uma das suas idéias mais inovadoras foi o desenho das elevadas torres cônicas circulares que sobressaem apontadas sobre os portais, estreitando-se com a altura. Projetou-as com uma torção parabólica dando uma tendência ascendente a toda a fachada, favorecida por múltiplas janelas que perfuram a torre seguindo formas espirais.

O templo, quando estar terminado, disporá de 18 torres: quatro em cada uma das três entradas-portais e, a jeito de cúpulas; dispor-se-á um sistema de seis torres, com a torre zimbório central, dedicada a Jesus Cristo, de 170 metros de altura, outras quatro ao redor desta, dedicadas aos evangelistas, e um segundo zimbório dedicado à Virgem. O interior estará formado por inovadoras colunas arvorecentes inclinadas e abóbadas baseadas em hiperbolóides e parabolóides buscando a forma ótima da catenária.

Estima-se que poderá levar no seu coro 1.500 cantores, 700 crianças e cinco órgãos. Prevê-se, que no final da construção, por volta de 2025, terá início a restauração da parte mais antiga.

Em 1926 faleceu Gaudí, quando somente se construíra uma torre. Do projeto do edifício só ficam planos e um modelo em gesso que resultou muito danificado durante a Guerra Civil espanhola. Desde então prosseguiram as obras: atualmente estão terminados os portais da Natividade e da Paixão, e foi iniciado o da Glória, e estão em execução as abóbadas interiores.

A obra que realizou Gaudí, é dizer, a fachada da Natividade e a cripta, foi incluída pela Unesco em 2005 no Sítio do Patrimônio mundial «Obras de Antoni Gaudí».

História

A idéia de construir um templo expiatório dedicado à Sagrada Família em uns novos terrenos do Eixample barcelonês foi do livreiro Josep Maria Bocabella, para o que fundou a Associação de Devotos de São José. Para isso foi adquirida uma maçã inteira do Eixample num lugar conhecido como El Poblet, perto do Camp de l'Arpa, em Sant Martí de Provençals, entre as ruas Provença, Maiorca, Marina e Sardenya.

O projeto foi encarregue em primeiro lugar a Francisco de Paula del Villar y Lozano, que ideou um conjunto neogótico, recusando a idéia de Bocabella de fazer uma réplica do Santuário de Loreto (que se supõe foi a casa de José e Maria em Nazaré). O projeto de Villar consistia numa igreja de três naves, com os elementos típicos do gótico, como os vitrais alveolados, os contrafortes exteriores e um alto campanário em forma de agulha.

A primeira pedra foi colocada a 19 de Março de 1882, dia de São José, com a presença do então bispo de Barcelona José María Urquinaona. Gaudí assistiu à cerimônia, já que tinha trabalhado como ajudante de Villar em vários projetos. As obras não se iniciaram até 25 de Agosto de 1883, sendo adjudicadas ao empreiteiro Macari Planella i Roura.

.]] Em 1883, Villar renunciou por desavenças com Joan Martorell, arquiteto assessor de Bocabella. ,

O projeto foi oferecido ao próprio Martorell, mas ao recusar este foi oferecido a um jovem Gaudí de 31 anos; Gaudí fora ajudante de Martorell em várias construções, fato que motivara a recomendação de Gaudí, que ainda não executara grandes obras. Ao encarregar-se Gaudí do projeto, modificou-o por inteiro - salvo a parte já construída da cripta -, imprimindo-lhe o seu estilo peculiar. Durante os remanescentes 43 anos da sua vida trabalhou intensamente na obra, os últimos 15 anos de jeito exclusivo. Esta dedicação tão intensa tem a sua explicação, para além da magnitude da obra, pelo fato de Gaudí definir muitos aspetos à medida que a construção avançava, em lugar de tê-los concretizado previamente nos seus planos e instruções. Por isso a sua presença pessoal na obra era de grande importância.

Durante a vida de Gaudí somente foi feita a fachada da Natividade, com escultura de Carles Mani, Llorenç Matamala e Joan Matamala, contando com os desenhos de Ricard Opisso; Gaudí apenas chegou a ver coroada a torre de São Barnabé antes do seu falecimento. À morte de Gaudí encarregou-se das obras o seu ajudante Domènec Sugrañes, durante os anos 1926 -1936, acabando as três torres que ficavam na fachada da Natividade.

Durante a Guerra Civil Espanhola ficou destruída na sua maior parte a oficina na qual Gaudí trabalhara, e onde se encontravam os seus rascunhos, maquetes e modelos. Por esta causa e pela particular maneira de trabalhar Gaudí, não ficaram planos nem diretrizes a respeito de como devia terminar-se o templo. Portanto, quando em 1944 prosseguiu a construção da Sagrada Família, teve de definir-se em primeiro lugar como devia proceder-se, para edificar o templo da forma mais fiel às idéias de Gaudí.

À frente desta gigantesca tarefa estiveram os arquitetos Francesc Quintana]], Isidre Puig i Boada e Lluís Bonet i Gari, enquanto da obra escultórica encarregou-se Jaume Busquets. Posteriormente, quando se construiu a fachada da Paixão, o conjunto principal das figuras escultóricas foi encarregado a Josep Maria Subirachs. As obras deste último originaram certa polêmica, devido a que criou esculturas totalmente contemporâneas afastadas do estilo realista que Gaudí incluiu na fachada da Natividade. O escultor japonês Etsuro Sotoo colaborou em algumas esculturas da fachada da Natividade. De 1987 as obras estão sob a direção de Jordi Bonet i Armengol .

do Vaticano, Francesco Ragonesi (1915). Naquela ocasião Ragonesi qualificou Gaudí como “o Dante da arquitetura”.]]

).]] Um dos pontos que suscitou maior controvérsia em torno à Sagrada Família é a sua situação no tecido urbanístico de Barcelona: quando começaram as obras encontrava-se num descampado, mas pronto foi integrada no rápido desenvolvimento da cidade a princípios do século XX. Em 1905 Gaudí realizou um projeto para englobar a Sagrada Família dentro do Plano Jaussely, o novo projeto de alargamento barcelonês: concebeu situar o templo dentro de uma zona ajardinada em forma de estrela octogonal, que teria proporcionado uma visão ótima do templo desde todas as zonas circundantes. Finalmente, devido ao custo dos terrenos, reduziu o projeto a uma estrela de quatro pontas, que permitia uma ampla visão desde todos os vértices. Contudo, o plano de Gaudí finalmente não se levou a cabo: em 1975 o Município de Barcelona realizou um estudo urbanístico que previa habilitar uma zona em forma de cruz em torno à Sagrada Família, com quatro praças ajardinadas em cada extremo do templo; ainda assim, atualmente somente existem duas destas praças, e a criação das novas implicaria demolir vários edifícios, pelo qual ainda se estuda a solução ideal para enquadrar a Sagrada Família num contorno apropriado.

A Sagrada Família teve vários eventos destacados: em 1920 celebrou-se o Ano Jubilar de São José com procissões, peregrinações e missas, e cantou-se o Aleluya de Händel por mil cantantes de orfeões vindos de toda Catalunha, dirigidos por Lluís Millet. Em 1953, por ocasião do 35º Congresso Eucarístico Internacional celebrado em Barcelona, foi inaugurada a iluminação artística da fachada da Natividade. Em 1981 abriu-se a praça Gaudí frente à Sagrada Família, com um projeto de jardins de Nicolau Maria Rubió i Tudurí, onde se destaca o tanque, em cujas águas fica refletido o templo. Ao ano seguinte, por ocasião do centenário da colocação da primeira pedra, o templo recebeu a visita do papa João Paulo II. Igualmente, a 18 de Março de 2007 foi comemorado o 125 aniversário da colocação da primeira pedra do templo com uma festa, concertos e bailando uma sardana (A santa espinha) ao redor de todo o templo. A Sagrada Família é palco habitual de numerosos atos culturais e encontros religiosos.

O templo

Quando Gaudí começou a dirigir a construção do templo, somente estava construída a cripta, na qual modificou os capitéis, que passaram de ser em estilo coríntio a outro estilo inspirado em motivos vegetais. Gaudí evolucionou desde o primeiro projeto neogótico para o seu estilo particular naturalista, orgânico, adaptado à natureza; uma das suas fontes de inspiração foi a Caverna do Salnitre em Collbató (Barcelona). Gaudí opinava que o gótico era imperfeito, porque as suas formas retas, o seu sistema de pilares e arcobotantes não refletia as leis da natureza, que segundo ele é propensa às formas geométricas regradas, como são o parabolóide hiperbólico, o hiperbolóide, o helicóide e o conóide.

As superfícies regradas são formas geradas por uma reta, denominada geratriz, ao se deslocar sobre uma linha ou várias, denominadas diretrizes. Gaudí as achou em abundância na natureza, como por exemplo, em juncos, canas ou ossos; dizia que não existe melhor estrutura do que um tronco de árvore ou um esqueleto humano. Estas formas são ao mesmo tempo funcionais e estéticas, e Gaudí empregou-as adaptando a linguagem da natureza às formas estruturais da arquitetura. Gaudí assimilava a forma helicoidal ao movimento, e a do hiperbolóide à luz.

Gaudí foi modificando a sua concepção do templo ao longo dos anos, já que as interrupções das obras por falta de recursos econômicos deram tempo para buscar novas soluções estruturais. Assim mesmo, aproveitou a sua experimentação em outros projetos para incorporar na Sagrada Família as suas inovações mais bem-sucedidas: a cripta da Colônia Güell, bem como as galerias e viadutos do Parque Güell, serviram-lhe para adotar novas soluções arquitetônicas baseadas em hiperbolóides e parabolóides, bem como em colunas helicoidais. Igualmente, as torres da Sagrada Família estavam inspiradas num projeto não realizado para umas "Missões Católicas Franciscanas" em Tânger (1892), encarregado pelo marquês de Comillas.

Para Gaudí um elemento chave na sua forma de conceber a estrutura é o arco parabólico ou catenária, também chamado funicular de forças, que utilizou como elemento mais adequado para suportar as pressões. Mediante a simulação de diferentes poli-funiculares experimentais determinou a forma ótima da estrutura para suportar as pressões dos arcos e as abóbadas, primeiro na cripta da Colônia Güell e depois na Sagrada Família. Gaudí desenvolveu um modelo a escala de cordéis tecidos dos quais se suspendiam pequenos sacos que simulavam os pesos, assim determinava o funicular de forças e a forma da estrutura. Portanto, a partir do estado de cargas, simulados com os sacos, determinou experimentalmente a forma idônea da estrutura, que ele chamou estereostática e que reproduzia a estrutura ótima para trabalhar a tração, e que, invertendo-a, obtinha a estrutura idônea para trabalhar a compressão. (ver maquete funicular de Rainer Gräfe).

Gaudí concebeu a Sagrada Família como se fosse a estrutura de uma floresta, com um conjunto de colunas arvorecentes divididas em diversos ramos para sustentar uma estrutura de abóbadas de hiperbolóides entrelaçados. Inclinou as colunas para receberem melhor as pressões perpendiculares à sua seção; aliás, deu-lhes forma helicoidal de duplo giro (dextrogiro e levogiro), como nos ramos e troncos das árvores. Pelo conjunto de elementos aplicados nas colunas -inclinação, forma helicoidal, ramificação em várias colunas menores- conseguiu uma simples forma de suportar o peso das abóbadas sem necessidade de contrafortes exteriores.

Desenhou uma planta em cruz latina com o altar-mor sobre a cripta, rodeado de sete capelas absidais; frente ao altar, um cruzeiro de três naves, com os portais da Natividade e a Paixão; em senso longitudinal o corpo central, de cinco naves, com o Portal da Glória. A planta tem umas dimensões de 110 x 80 metros; a zona edificada terá uma superfície total de 4.500 m2. Sua capacidade será de 14.000 pessoas.

O conjunto incluirá ademais: um claustro que circundará a igreja, previsto para a realização de procissões e para isolar o templo do exterior; junto ao presbitério estarão as sacristias e, entre elas, a capela da Assunção; aos pés da igreja, as grandes capelas circulares do Batismo e a Penitência; interiormente, o templo disporá de trifórios ou galerias para cantores.

O templo terá 18 torres, quatro em cada uma das três portas fazendo um total de 12 pelos apóstolos, no centro a torre zimbório dedicada a Jesus Cristo, de 170 metros de altura, outras quatro dos evangelistas em torno da torre zimbório, e sobre a abside outro zimbório dedicado à Virgem. As torres têm perfil parabólico, e dispõem de umas escadas helicoidais que deixam a parte central oca para situar ali uns sinos tubulares dispostos como carrilhão.

Junto ao templo Gaudí construiu vários edifícios anexos: a casa do capelão (construída em 1887 e reformada entre 1906 e 1912), construção simples de tijolo, à qual se encostaram diversos espaços destinados ao escritório de Gaudí, uma oficina de maquetes, um laboratório de fotografia e uma sala de atos; e as Escolas da Sagrada Família (1909), pequeno edifício destinado a escola para os filhos dos operários que trabalhavam na obra.

Gaudí concebeu uma complexa iconografia que baseou exclusivamente na sua condição de templo católico e no culto religioso, adaptando todos os elementos aos ritos litúrgicos. Para isso inspirou-se nomeadamente em El Año Litúrgico de Prosper Guéranger, recopilação de todos os cultos e festividades religiosas produzidas ao cabo do ano, bem como no Missal Romano e o Cerimonial de bispos. Para Gaudí, a Sagrada Família era um hino de louvor a Deus, no qual cada pedra era uma estrofe. O exterior do templo representa a Igreja, através dos apóstolos, os evangelistas, a Virgem e Jesus, cuja torre principal simboliza o triunfo da Igreja; o interior alude à Igreja universal, e o cruzeiro à Jerusalém Celestial, símbolo místico da paz.

Gaudí desenhou pessoalmente muitas das esculturas da Sagrada Família, aplicando um curioso método de trabalho ideado por ele: primeiro fazia um profundo estudo anatômico da figura, centrando-se nas articulações -para o que estudou detidamente a estrutura do esqueleto humano-; às vezes servia-se de bonecos confeccionados com arame para provar a postura adequada da figura a esculpir. Em segundo lugar, realizava fotografias dos modelos, utilizando um sistema de espelhos que proporcionavam múltiplas perspectivas. A seguir, fazia moldes em gesso das figuras, tanto de pessoas como de animais (numa ocasião teve de içar um burro para que não se movimentasse). Sobre estes moldes fazia correições nas proporções para conseguir uma visão da figura dependendo da sua situação no templo (mais altas quanto mais elevadas). Finalmente, era esculpida em pedra.

A Cripta

Começada em 1882 segundo o projeto de Francisco del Villar, ao se encarregar Gaudí das obras, a 3 de Novembro de 1883, transformou os pilares acrescentando-lhes capitéis com motivos naturalistas; também elevou a abóbada e rodeou a cripta de um fosso para ter iluminação e ventilação diretas. Os primeiros planos de Gaudí para a Sagrada Família foram da capela de São José, construída entre 1884 e 1885, data da celebração da primeira missa. As obras da cripta prolongar-se-iam até 1891.

A cripta compõe-se de sete capelas dedicadas à Sagrada Família de Jesus: São José, o Sagrado Coração, a Imaculada Conceição, São Joaquim, Santa Ana, São João Batista e a capela de Santa Isabel e São Zacarias. Estão dispostas em forma de rotunda, frente à qual se situam outras cinco capelas em linha reta: a central que alberga o altar, ladeada pelas capelas de Nossa Senhora do Carmo (onde está enterrado Gaudí), de Jesus Cristo, de Nossa Senhora de Montserrat e do Santo Cristo (onde tem sepultura Josep Maria Bocabella).

O altar é presidido por um relevo da Sagrada Família, obra de Josep Llimona. Cabe destacar assim mesmo a chave da abóbada central com um relevo policromo dedicado à Anunciação, obra de Joan Flotats, bem como a imagem de São José de Maximí Sala Sánchez, na capela homônima. A cripta é circundada por um mosaico romano de "opus tesselatum" onde estão representados a vinha e o trigo, símbolos da Eucaristia, obra do mosaicista italiano Mario Maragliano. As pias de água benta da cripta estão feitas com umas grandes conchas marinhas (tridacna gigas) procedentes das Filipinas, que proporcionara a Gaudí o marquês de Comillas. Algumas das lâmpadas da cripta as fez Gaudí com as suas mãos, já que o médico lhe recomendara trabalhos manuais para combater o reumatismo.

A cripta da Sagrada Família sofreu importantes destroços a 21 de Julho de 1936, num incêndio na Guerra Civil Espanhola, sendo destruídos numerosos planos, maquetes e documentos deixados por Gaudí Desde 1930 a cripta vem sendo utilizada como igreja paroquial, até à finalização do templo.

A abside

A abside ocupa a cabeceira do templo, entre as fachadas da Natividade e a Paixão; no seu centro situar-se-á a capela da Assunção, e terá duas sacristias nos laterais, intercomunicadas pelo claustro, que rodeará todo o recinto. Gaudí dedicou o conjunto da abside à Virgem Maria. O projeto contém sete capelas absidais dedicadas aos sete "dores e gozos de São José", segundo desejos do fundador Bocabella. De inspiração gótica, ao encontrar-se sobre a cripta segue a sua mesma estrutura. Sua construção realizou-se de 1891 a 1893.

A Capela da Assunção terá forma de beliche de pedra, evocando a liteira com que se tirava em procissão à chamada Virgem de Agosto da Catedral de Gerona; Gaudi inspirou-se na obra de Lluís Bonifaç i Massó da Seu gerundense, reproduzindo na capela detalhes como os cortinados, a coroa, os pilares e os anjos.. A capela será terminada com uma lanterna de 30 metros de altura, culminada com uma coroa ladeada nos seus quatro lados por anjos, e a inscrição Salve, Regina, Mater misericordiae. No interior figurará a Santíssima Trindade na cúpula coroando a Maria, rodeada de anjos –como avocação de Nossa Senhora dos Anjos–; na galeria haverá 12 anjos –pelas 12 estrelas da coroa da Virgem– com os frutos do Espírito Santo; sob a galeria estará a morte da Virgem, a de São José, a apresentação de Maria no templo por São Joaquim e Santa Ana e os casamentos de Canaã. Nos portais estarão os oragos barceloneses, São Roque e São José Oriol.

As sacristias terão uma altura de 35 metros, sobre uma base de 18 x 18; constarão de doze caras com janelas triangulares, cobertas por uma cúpula decorada com mosaico e terminada pela figura de um vindimador e um cordeiro, símbolos de Jesus Cristo.

A abside contém uma profusa decoração escultórica onde se destacam as estátuas dedicadas a santos fundadores de ordens religiosas (Santo Antônio Abade, São Bento de Núrsia, Santa Escolástica, São Bruno, São Francisco de Assis, Santa Clara e Santo Elias), bem como os anagramas de Jesus (a inicial do seu nome rodeada por uma coroa de espinhas), da Virgem (a inicial com a coroa de Reina dos Céus e a Terra) e São José (a sua inicial acompanhada por narcisos, flores que evocam a pureza e castidade). Assim mesmo, encontram-se numerosos elementos da natureza como ervas (nomeadamente o trigo, como símbolo da Eucaristia) e animais.

Fachada da Natividade

Ao estar dedicada ao acontecimento gozoso da Natividade de Jesus, esta fachada apresenta uma decoração exultante onde todos os elementos são evocadores da vida. Centra-se na faceta mais humana e familiar de Jesus, com uma ampla profusão de elementos populares, como ferramentas e animais domésticos. Está dividida em três pórticos, dedicados às virtudes teologais: da esperança à esquerda, da Fé à direita, e da Caridade no centro, com a Porta de Jesus e terminada pela Árvore da Vida. A fachada culmina com as torres-campanário dedicadas a São Matias, São Judas Tadeu, São Simão e São Barnabé. Foi construída entre 1894 e 1930. A escultura é de Carles Mani, Llorenç Matamala e Joan Matamala.

Os pórticos estão separados por duas grandes colunas: a de José entre o pórtico da Esperança e o da Caridade, e a de Maria, entre o pórtico da Caridade e o da Fé. Na base das colunas está representada uma tartaruga (uma de terra e uma de mar) como símbolo do inalterável no tempo; os fustes erguem-se em espiral, enquanto os capitéis são em forma de folhas de palma, das quais surgem cachos de dátis cobertos de neve (pelo Inverno, data da natividade de Jesus), que dão apóio a dois anjos com trompetes que anunciam a Natividade de Jesus. Em contraste com as tartarugas, a ambos os lados da fachada situaram-se camaleões, símbolos da mudança. No projeto original de Gaudí esta fachada devia estar policroma, pintando de diversas cores as arquivoltas dos três pórticos; assim, todas as estátuas seriam pintadas, tanto as de figuras humanas quanto as de flora e fauna e demais objetos.

Esta fachada foi eleita por Gaudí para dar uma idéia global da estrutura e decoração do templo: como era consciente de que não poderia terminar o projeto no transcurso da sua vida, em vez de ir construindo o templo no seu conjunto de jeito linear preferiu construir uma fachada completa em toda a sua verticalidade, para dar uma amostra completa de como devia ser o resto. Escolheu esta fachada por ser, em sua opinião, a que poderia ser mais atrativa para o público, fomentando assim a continuação da obra após a sua morte; nas suas próprias palavras:

Шаблон:Quote1

Pórtico da Caridade

É o maior dos três, e está dedicado a Jesus. Simulando ser o Portal de Belém, desenvolve uma série de cenas sobre a Natividade de Jesus: a Anunciação, a Adoração dos Reis, a Adoração dos pastores e a Coroação de Maria; as duas Adorações são obra de Joaquim Ros i Bofarull (1981-1982). Também encontramos a estrela de Belém e os signos do Zodíaco, dispostos como estavam a noite que nasceu Jesus, bem como anjos músicos (com instrumentos clássicos: harpa, fagote, violino; e populares: guitarra, pandeiro e gaita), o cordeiro como símbolo de inocência, o cão como símbolo de fidelidade e as 59 contas do rosário rodeando o vitral.

Na Porta de Jesus destaca-se o grande pilar com a árvore genealógica de Jesus; na sua base está a serpente mordendo a maçã, símbolo do pecado original, e sobre o capitel situa-se o grupo da Natividade, obra de Jaume Busquets (1958). O Coro de anjos meninos, destruído na Guerra Civil, foi realizado de novo por Etsuro Sotoo. Os anjos sustêm uma inscrição que diz: Jesus est natus. Venite, adoremus, ante cuja mensagem os pássaros vão o pé do berço, segundo a cantiga de Natal popular catalã El cant dels ocells (O canto dos pássaros).

O pórtico culmina na Árvore da Vida, que representa o triunfo da vida e o legado de Jesus. Aqui encontramos o anagrama de Jesus com as letras JHS (de Jesuchristus), numa cruz, com as letras gregas Alfa e Omega, como símbolo do princípio e o fim. Está rodeado de anjos incensários e anjos portadores do pão e o vinho, símbolo da Eucaristia. Sobre o anagrama encontramos um pelicano, primitivo símbolo cristão que representa igualmente a Eucaristia, com um ovo símbolo da origem e a plenitude da Natureza. Em senso ascendente acham-se duas escadas como ascensão a Deus, e um cipreste que simboliza a vida eterna, com um grupo de pombas que representam os fiéis que acodem a Deus. Finalmente, encontramos uma representação da Santíssima Trindade, com a letra grega tau, inicial do nome de Deus em grego, a cruz de Jesus e a pomba do Espírito Santo.

Pórtico da Esperança

Dedicado a São José, encontramos as cenas dos Esponsais da Virgem Maria e São José, a Família de Jesus (com São Joaquim e Santa Ana), a Morte dos Santos Inocentes, A fuga para Egito e A barca de São José, em que José é o timoneiro que conduz à Igreja Católica (a fisionomia de José corresponde à do próprio Gaudí, como homenagem dos trabalhadores do templo após a sua morte). Também podemos observar a colocação de animais domésticos como ocas, gansos ou patos como alusão à fauna do Nilo, bem como flora do Egito. O pórtico é terminado por um grande pináculo semelhante aos penhascos de Montserrat, com a inscrição Salvam-nos.

Pórtico da Fé

Dedicado à Virgem Maria, percebemos as cenas da Imaculada Conceição, a Visitação, Jesus em braços de Simeão, Jesus trabalhando de carpinteiro ou O achado de Jesus no templo. Também encontramos as figuras de São João Batista e São Zacarias, o Coração de Jesus, coberto de espinhas e de abelhas místicas que libam o seu sangue, a Providência, em forma de mão com o olho que todo o vê, uvas e espigas como símbolo da Eucaristia e flora de Palestina.

Pórtico da Caridade. Pórtico da Esperança. Pórtico da Fé. Árvore da Vida.
Morte dos Santos Inocentes. Fugida para o Egito. Adoração dos Reis. Coroação de Maria.

Fachada da Paixão

A fachada da Paixão foi começada a construir em 1954 segundo os desenhos e explicações que deixara Gaudí; as torres remataram em 1976, e desde então trabalhara na decoração escultórica. Gaudí projetou esta fachada durante uma convalescência por umas febres de Malta em Puigcerdà, em 1911. Dedicada à Paixão de Jesus pretende refletir o sofrimento de Cristo na sua crucifixão. Por isso concebeu uma fachada mais austera e simplificada, sem ornamentação, onde destacasse a nudeza da pedra, semelhando um esqueleto reduzido às linhas simples dos seus ossos. Apenas figuram os grupos escultóricos do ciclo passional de Jesus, obra de Josep Maria Subirachs, que ideou um conjunto simples e esquemático, com formas angulosas que provocam um maior efeito dramático; Subirachs começou a sua obra em 1987, na qual ainda trabalha (май de 2017).

O próprio Gaudí descrevia a sua concepção da fachada da Paixão da seguinte maneira:

Шаблон:Quote1

A fachada é sustentada por seis grandes colunas inclinadas, que semelham troncos de sequóia, sobre as que se localiza um grande frontão de jeito piramidal constituído por 18 colunas em forma de osso, terminado por uma grande cruz com uma coroa de espinhas. As torres estão dedicadas aos apóstolos Santiago Menor, São Tomé, São Filipe e São Bartolomeu.

A fachada da Paixão tem três pórticos igualmente dedicados à Fé, Esperança e Caridade: o pórtico central tem duas portas de bronze dedicadas ao Evangelho, com os textos evangélicos dedicados aos últimos dias de Jesus, separadas por um mainel com as letras gregas alfa e omega, como símbolo do princípio e o fim; as outras duas portas são a de Getsemani e da Coroação de espinhas, igualmente de bronze. Frente às Portas do Evangelho situa-se a coluna d´A Flagelação, que substitui a cruz inicialmente prevista por Gaudí; por isso, Subirachs dividiu a coluna em quatro blocos, simbolizando as quatro partes da cruz. Tem cinco metros de altura, e está realizada em mármore travertino. Outros detalhes destacados da coluna são: o nó, que simboliza as torturas sofridas por Jesus; o fóssil, achado no bloco de mármore segundo Subirachs, e que tem forma de palmeira, símbolo do martírio; e a vara que os soldados deram a Jesus em vez do cetro real, como símbolo do escárnio sofrido.

O ciclo escultórico da Paixão está instalado em três níveis, seguindo uma ordem ascendente em forma de S, para reproduzir o Calvário de Jesus:

  • Nível inferior: contém as cenas da última noite de Jesus antes da crucifixão. A Última Ceia apresenta a Jesus com os doze apóstolos, no momento em que Judas trai-lo á; figura a inscrição "O que vais fazer, faz depressa" (São João, 13, 27). Pedro e os soldados é o momento em que Pedro curta a orelha ao criado do Grande Sacerdote. Em O beijo de Judas as figuras são toscamente talhadas para sugestionarem uma visão noturna; detrás de Judas situa-se a serpente que simboliza o demônio. A negação de Pedro contém três figuras de mulher que representam as três vezes que Pedro negou a Jesus; o apóstolo está envolvido num lençol como símbolo da sua covardia. Em Ecce Homo Jesus é apresentado com a coroa de espinhas; junto à cena há uma coluna com a águia romana e a inscrição "Tibério, imperador de Roma". Por último, figura O juízo de Jesus, em que Pilatos lava as mãos.

de Dante: "O meu desejo deve ter fim neste maravilhoso e angélico templo, cujos únicos confins são o amor e a luz" (Paraíso, XXVIII, 52-54).]]

  • Nível meio: representa o Calvário de Jesus. Aparece em primeiro lugar O soldado Longino, que cravou a sua lança a Jesus embora logo se convertesse ao cristianismo. A Verônica amostra o rosto de Jesus marcado em negativo na tela da mulher que lhe limpou a suor; a figura de Verônica não tem rosto para não interferir com a imagem de Jesus; aqui Subirachs faz uma homenagem a Gaudí, dando a sua fisionomia à figura do evangelista situado à esquerda, bem como na forma dos cascos dos soldados, que evocam as chaminés da Casa Milà. Encerra o ciclo As Três Marias e Simão de Cirene, em que este ajuda com a cruz a Jesus, rodeado pela Virgem, Maria Magdalena e Maria de Cleofás.
  • Nível superior: figura a morte e enterro de Jesus. Começa o nível com Soldados jogando aos dados as vestiduras de Jesus. A crucifixão é a cena principal do pórtico, com Jesus na cruz, feita de ferro, com um "I" pintado a vermelho na viga central, símbolo do INRI; aparecem de novo as três Marias e São João, e figuram também na cena um crânio, símbolo da morte, e uma lua, que representa a noite. O véu rasgado é uma estrutura de bronze que representa o véu do Templo de Jerusalém, que se rasgou à morte de Jesus. Finalmente, em O enterro figuram José de Arimatéia e Nicodemo depositando o corpo de Jesus no sepulcro, junto à Virgem Maria e um ovo, símbolo da ressurreição.

Sobre o frontão figurarão cruzes de vários ritos e países, bem como dois grupos de estátuas: os profetas, que surgem do limbo para seguir a Jesus crucificado, junto ao cordeiro do sacrifício de Abraão; e os patriarcas, surgindo igualmente do limbo, acompanhados pelo leão de Judá, vencedor da morte.

  • Profetas: Isaías, Jeremias, Zacarias, Ezequiel, Daniel, Jonas e João Batista.
  • Patriarcas: Adão, Noé, Abraão, Isaac, Jacó, José, Moisés, Samuel, David e São José.

Num nível superior situar-se-á a Ressurreição de Jesus, com o anjo custódio, Maria Madalena e Maria Salomé. Finalizam o ciclo da Paixão: Cristo ressuscitado, no vitral do cruzeiro; e a Ascensão de Jesus, na ponte que une as torres de São Bartolomeu e São Tomé, a 60 metros de altura, obra de Subirachs realizada em bronze, instalada em 2005.

A 22 de Abril de 2007 foi instalada uma escultura de São Jorge na varanda do -no lado interior da fachada da Paixão-, coincidindo com a proclamação do 550 aniversário do santo como padroeiro de Catalunha e no quadro dos atos de celebração do 125 aniversário da colocação da primeira pedra do templo. Obra de Subirachs, a estátua é de bronze, de três metros de altura, e está inspirada no São Jorge de Donatello.

Última ceia. </small> O beijo de Judas. Ecce Homo. A Verônica.
O julgamento de Jesus. Coluna da Flagelação. O soldado Longino. A crucifixão.

Fachada da Glória

A fachada da Glória será a maior e monumental; é a fachada principal, a que dá acesso à nave central. As obras começaram em 2002. Dedicada à Glória celestial de Jesus, representa o caminho ascensional a Deus: a Morte, o Julgamento Final e a Glória, bem como o Inferno, para tudo aquele que se afasta do ditado de Deus.

Para aceder ao Pórtico da Glória haverá uma grande escadaria com um terraço onde se situará o Monumento ao Fogo e à Água, com um grande piveteiro com fogo, em representação da coluna de fogo que guiou o povo eleito, e uma fonte de água, com um jato de 20 metros de altura que se dividirá em quatro cascatas, simbolizando os rios do paraíso terreal e as fontes de água viva do Apocalipse.

A escadaria criará uma passagem subterrânea na Rua Maiorca, que representaria o Inferno, e estaria decorado com demônios, ídolos e falsos deuses, cismas, heresias, etc.

O pórtico terá sete grandes colunas dedicadas aos sete dons do Espírito Santo; nas suas bases aparecerão os sete pecados capitais, e nos capitéis as sete virtudes.

Assim mesmo, haverá sete portas dedicadas aos sacramentos e às petições do Pai Nosso.

Figurarão também as Bem-aventuranças e as Obras de Misericórdia corporais e espirituais.

Na fachada estarão representados: Adão e Eva, como origem do ser humano; São José no seu trabalho de carpinteiro; a Fé, a Esperança e a Caridade representadas pela Arca da Aliança, a Arca de Noé e a Casa de Nazaré; a Virgem Maria; as hierarquias angélicas; e Jesus no Julgamento Final, com o Espírito Santo em forma de rosácea e Deus Pai, formando a Trindade.

A fachada completar-se-á com umas grandes nuvems iluminadas que conterão em grandes letras o Credo e o Gênesis, situadas sobre 16 grandes lanternas dispostas em ordem ascendente. As torres serão as mais altas das três fachadas, e serão dedicadas a São Pedro, São Paulo, Santo André e Santiago Maior.

As torres

Gaudí projetou um templo de grande verticalidade, para que fosse visível desde qualquer ponto de Barcelona e destacasse sobre o restante de edifícios. Para isso dotou a Sagrada Família com 18 torres, 12 dos apóstolos, 4 dos evangelistas, e os zimbórios de Jesus e a Virgem Maria. Têm diferente altura, em senso ascendente: as torres da Natividade, 98 metros as exteriores e 107 as centrais; as da Paixão, 107 metros as exteriores e 112 as centrais; as da Glória, 118 metros; a da Virgem, 120 metros; as dos evangelistas, 125 metros; e a de Jesus, 170 metros.

As torres são de perfil parabólico, e têm diferentes soluções segundo a sua tipologia: as dos apóstolos são terminadas por pináculos de mosaico veneziano policromo com escudos com a cruz e umas esferas brancas, que simbolizam a mitra episcopal; também figuram o anel e o báculo episcopais, bem como as inscrições Hosanna, Excelsis e Sanctus, Sanctus, Sanctus, repetido três vezes pela Santíssima Trindade. Assim mesmo, cada torre leva inscrito o nome em latim e a palavra Apostolus junto com uma escultura do apóstolo que representa. Estas torres agem de campanário, e conterão um total de 60 sinos, comuns e tubulares. Gaudí realizou complicados estudos de acústica para conseguir uma perfeita sonoridade.

As torres dos evangelistas estarão terminadas pelas figuras alegóricas que os representam na iconografia cristã: São João, a águia; São Marcos, o leão; São Mateus, o anjo; e São Lucas, o boi. Terão dois focos cada uma. A torre de Maria situar-se-á sobre a abside, e estará terminada por uma grande estrela de 12 pontas, que simbolizará a estrela da manhã. Finalmente, a torre de Jesus estará terminada por uma grande cruz de quatro braços, de 15 metros; na sua parte central figurará um cordeiro, bem como a inscrição Tu solus Sanctus, Tu solus Dominus, Tu solus Altissimus e as palavras Amén e Aleluya. Cada um dos quatro braços da cruz terá potentes feixes de luz que serão visíveis a grandes distâncias.

O exterior

No exterior destaca-se o claustro, que rodeia todo o perímetro do templo, solução original ideada por Gaudí para isolar o templo do exterior. Como o restante do projeto, encontra-se a quatro metros de altura acima do nível do chão, e o seu comprimento total será de 240 metros. Para os vitrais, Gaudí ideou três tipologias diferentes, para conseguir uma transição do neogótico original à nova estrutura naturalista aplicada nos seus últimos anos: o primeiro nível, sob a cantoria, é neogótico; o segundo, sobre as cantorias, apresenta um hiperbolóide elíptico rodeado de quatro circulares, sobre um friso de aberturas alongadas; o terceiro, que corresponde à nave central, tem igualmente um hiperbolóide elíptico rodeado de dois hiperbolóides de revolução, também sobre quatro aberturas alongadas, figurando no centro a inscrição Gloriam.

Entre os vitrais situam-se umas colunas helicoidais com as inscrições aurum, thus, myrrham (em latim, ouro, incenso e mirra) e oració, sacrifici, almoina (em catalão, oração, sacrifício, esmola). Também se alternam nos muros exteriores outras inscrições como: Jesus, Maria, Joseph; Sursum corda; Gratia plena; Ora pro nobis.

Os vitrais terminam num frontão, o vértice do qual é coroado por uma cesta de frutas, simbolizando a chuva de frutos do Espírito Santo que cai sobre os homens. No mainel sobre cada vitral há Santos Fundadores: Ignácio de Loyola, José de Calasanz, Domingos de Gusmão, Pedro Nolasco, Raimundo de Peñafort, Francisco de Paula, Teresa de Jesus, Joaquina de Vedruna, Antônio Maria Claret, Felipe Neri, João Bosco, Vicente de Paulo, Joana de Lestonnac e Josep Manyanet.

Nas intersecções do claustro com as fachadas Gaudí projetou uns portais dedicados à Virgem: a ambos os lados da fachada da Natividade, a Virgem do Rosário e a de Montserrat; na fachada da Paixão, a Virgem da Mercê e a das Dores. Especialmente destacada é a do Rosário, que Gaudí escolheu para fazer uma demonstração de como tinha de ser a decoração do restante do templo. O portal é presidido pela Virgem com o Menino, ladeada por Santo Domingo e Santa Catarina. Outras cenas reproduzem: a Morte do Justo, com a Virgem mostrando um moribundo ao Menino Jesus, para lhe proporcionar alívio; a Tentação da Mulher, representada por um monstro em forma de peixe que oferece a uma mulher uma bolsa de dinheiro; e a Tentação do Homem, simbolizada por um diabo que oferece a um operário uma "bomba Orsini", empregada pelos anarquistas naquela época. A cada lado da porta figuram os reis David e Salomão e os profetas Isaac e Jacob. Assim mesmo, há grande profusão de rosas que enfeitam todo o pórtico, e frases como as últimas palavras da Ave Maria: Et in hora mortis nostrae, Amem.

Nos quatro cantos do templo figurarão três obeliscos por cada uma, representando os pontos cardinais, as quatro estações, os jejuns cristãos (Têmporas), relacionados pela sua vez com as ordens sacerdotais, as virtudes cardinais representadas simbolicamente, bem como símbolos de São José (lírio), a Virgem Maria (coroa) e Jesus (variando em cada grupo). Finalmente, cada obelisco central levará três das doze estrofes do hino de Daniel dos meninos de Babilônia (Trium puerorum), um dos laterais Sancte Joseph, Ora pro nobis, e o outro Sancta Dei Genitrix, Ora pro nobis, Deo gratias.

Ponto cardinal Estação Jejum Ordem sacerdotal Virtude Símbolo de Jesus
Norte Inverno Têmpora de Advento ordens menores Prudência
(cofre e serpente)
Emmanuel
Leste Primavera Têmpora de Quaresma subdiaconato Temperança
(garrafão e faca que curta pão)
cruz e INRI
Sul Verão Têmpora de Pentecostes diaconato Justiça
(espada e balança)
sol e cruz
Oeste Outono Têmpora de Setembro presbiterado fortaleza
(elmo e couraça)
o seu anagrama

O interior

Gaudí evolucionou de um primeiro projeto gótico para um estilo pessoal, orgânico, inspirado nas formas da natureza: para se livrar dos contrafortes góticos, ideou o uso de colunas em forma de tronco de árvore, que permitem descarregar o peso das cobertas diretamente no chão, solução prática ao mesmo tempo em que estética, já que converte o interior das naves do templo num espaço orgânico que semelha uma floresta. Em 1987 foi iniciada a cimentação das naves; em 1997 completaram-se as abóbadas laterais e foi começada a central.

O templo tem planta de cruz latina, com cinco naves de 90 metros de comprimento, e cruzeiro de três naves de 60 metros; a nave central tem um largo de 15 metros, e 7,5 as laterais, fazendo um total de 45 metros; largo do cruzeiro, 30 metros. A altura é de 45 metros nas abóbadas da nave central e 30 nas laterais, enquanto as do zimbório central chegarão aos 60 metros. As naves laterais conterão as cantorias para os coros. A abside é lobulado, com deambulatório contorno do presbitério. O templo contará com um total de 36 colunas, que oscilarão entre 11,10 e 22,20 metros de altura, com bases de polígonos estrelados de vários lados segundo a sua situação: 6 (naves laterais), 8 (nave central), 10 (torres dos Evangelistas), 12 (torre de Jesus). Os materiais de construção variam da pedra de Montjuïc ao granito, basalto ou porfiróide.

As abóbadas são hiperbólicas, construídas com lajotas de mosaico veneziano. Gaudí utilizou a técnica da abóbada catalã ou abóbada tabicada, que consistia na superposição de várias camadas de tijolos com argamassa. As cobertas são de jeito piramidal, coroadas por uma lanterna e um farol. Os vitrais estão pensados para distribuir uma iluminação suave e harmônica, criando um efeito de recolhimento, e têm forma geométrica abstrata; os vitrais de cores são obra de Joan Vila i Grau. Gaudí realizou profundos estudos acústicos e lumínicos para conseguir uma perfeita sonoridade e iluminação no interior do templo. Assim mesmo, desenhou as lâmpadas, mobiliário e objetos litúrgicos da Sagrada Família: armários de sacristia, bancos dos oficiantes, faldistórios, cadeiras, confessionários, tenebrários, atris, círios pascoais, etc.

Assim como o exterior, o interior terá um grande significado religioso: a cúpula da abside estará coberta com um mosaico representando as vestiduras de Deus cobrindo a abóbada celeste, e do trifório mais alto da abside pendurará uma lâmpada de sete braços que simbolizará o Espírito Santo. O altar ficará enquadrado por um arco triunfal com o Calvário de Jesus, completando assim a Santíssima Trindade. O arco triunfal levará o canto de Glória do Ordinário da Missa, bem como um baldaquino coroado por uma cruz, da qual sairá uma parreira, e um lampadário de 50 candis, como na basílica de São João de Latrão.

Nos trifórios correspondentes às fachadas da Natividade e a Paixão estarão São José e Maria rodeados de anjos que, com o crucifixo do altar, completam a Sagrada Família. Nas abóbadas haverá anjos e anagramas de Jesus, José e Maria. No interior figurará também o Evangelho através da missa de cada dominicana do ano, com as epístolas correspondentes (Advento, Natal, Septuagésima, Quaresma, Páscoa e Pentecostes); também se representará a oração com as Horas canônicas, cada uma com o seu hino final.

As colunas do interior têm variada simbologia: as quatro do cruzeiro vão dedicadas aos evangelistas, as doze que rodeiam o cruzeiro aos apóstolos, e o restante aos bispados de Catalunha (Barcelona, Tarragona, Lérida, Gerona, Vic, Urgell, Solsona, Tortosa e Perpinhão) no cruzeiro, e aos do restante da Espanha (Maiorca, Valência, Saragoça, Granada, Burgos, Sevilha, Valladolid, Toledo e Santiago) na nave central e nas laterais os cinco continentes; cada coluna leva os padroeiros de cada diocese.

A Jerusalém Celestial estará representada com o Cordeiro, a árvore da vida, os frutos do Espírito Santo, anjos, pássaros, ramos e folhas de (palma como símbolo de martírio e loureiro como símbolo de inteligência). Nos vitrais das naves laterais estarão as parábolas de Jesus. Finalmente, no saliente interior dos muros laterais do templo haverá peixes em mosaico, uns nadando para o altar com a boca aberta e outros voltando com a hóstia na boca.

Equipo construtor

Em época de Gaudí colaboraram com o genial arquiteto muitos dos seus discípulos e ajudantes, como Francesc Berenguer, Josep Maria Jujol, Josep Francesc Ràfols, Cèsar Martinell, Joan Bergós i Massó, Francesc Folguera, Josep Canaleta e Joan Rubió. À sua morte, encarregou-se das obras outro dos seus discípulos, Domènec Sugrañes, que finalizou a construção das três torres da fachada da Natividade que ficavam pendentes.

Após um período em que as obras estiveram paradas, em 1944 foram prosseguidas por uma equipa composta por Francesc Quintana, Isidre Puig i Boada , Lluís Bonet i Gari e Francesc Cardoner, que assumiu a direção em 1983. Esta equipa encarregou-se nomeadamente da construção da fachada da Paixão, seguindo os planos e maquetes deixados por Gaudí, procurando seguir o estilo de Gaudí.

Finalmente, em 1985 foi nomeado diretor Jordi Bonet i Armengol , com uma equipa no qual figuram Carles Bujadé, Joan Margarit i Consarnau, Jordi Fauli i Oller, Josep Gómez e Mark Burry. Esta equipa encarregou-se nomeadamente da parte interior do templo, conseguindo até esta data cobrir as abóbadas das naves centrais e laterais. De novo os critérios pontuados por Gaudí foram seguidos, ainda que com pequenas inovações, sobretudo no uso de novos materiais como o concreto e na aplicação de novas tecnologias.

Direção das obras:

  • 1882-1883 Francisco de Paula del Villar y Lozano
  • 1883-1926 Antoni Gaudí
  • 1926-1936 Domènec Sugrañes
  • 1944-1966 Francesc Quintana
  • 1966-1974 Isidre Puig i Boada
  • 1974-1983 Luís Bonet i Gari
  • 1983-1985 Francesc Cardoner
  • 1985-2017 Jordi Bonet i Armengol

O Museu

, que serviu de modelo a Gaudí para as torres da Sagrada Família. Desenho original de Gaudí exposto no Museu da Sagrada Família.]] A Sagrada Família conta com um espaço habilitado como Museu, situado no sótão do templo, na parte inferior correspondente ao cruzeiro, onde antigamente situavam-se os talheres. Inaugurado a 29 de Junho de 1961, amostra planos e desenhos originais de Gaudí, maquetes do templo e diversos objetos relacionados com o projeto, destacando-se os móveis litúrgicos desenhados por Gaudí. Também se destaca a maquete polifunicular invertida de cordel e pesos para calcular a estrutura do edifício e desenhar a forma da igreja da Colônia Güell a escala 1/15, na qual se baseou Gaudí para muitas das soluções estruturais da Sagrada Família.

O Museu conta igualmente com uma sala dedicada aos colaboradores do arquiteto, bem como uma de audiovisuais. Além das amostras referentes à Sagrada Família também se exibem diferentes objetos, planos, desenhos e fotografias sobre as diversas obras de Gaudí, bem como testemunhos biográficos do arquiteto. Também se realizam exposições temporárias dedicadas a diferentes aspetos do projeto de Gaudí.

Igualmente, foi habilitado o espaço formado pelas "Escolas da Sagrada Família", recentemente instaladas num lateral da fachada da Paixão, para exposição dedicada nomeadamente às múltiplas soluções estruturais ideadas por Gaudí, com especial ênfase nos seus estudos geométricos.

Outras observações

  • Na Fachada da Paixão, Subirachs acrescentou, ao lado de O beijo de Judas, um quadrado mágico de 16 cifras que, somando quatro delas em qualquer senso, sempre dão 33, a idade de Cristo ao falecer.
  • Em 2005 a parte construída por Gaudí na Sagrada Família (cripta e fachada da Natividade) foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.
  • Estimações em função dos avanços técnicos modernos e o número de doações prevêem que a sua construção poderia finalizar em 2026, coincidindo com a data do centenário do falecimento de Gaudí.
  • A Sagrada Família é também conhecida popularmente como "A catedral dos pobres", por causa do quadro homônimo do pintor modernista Joaquim Mir.

Polêmica pelo túnel do AVE

Está projetado a construção de um túnel para o Comboio de Alta Velocidade (AVE) junto aos alicerces da fachada principal da Sagrada Família. Embora frente de duas das fachadas do templo haja estações de metro a muito escassa distância e profundeza, começou uma campanha contra a construção deste túnel, argumentando que o mesmo poderia afetar negativamente o templo. Técnicos de várias universidades apoiaram esta campanha.

Шаблон:Ref-section

Шаблон:Bibliografia

  • {{Ref-livro

| sobrenomes=Zerbst | nome=Rainer | título=Gaudí |ano=1989 | publicação=Taschen |id=ISBN3-8228-0216-6

Postar um comentário
Dicas e sugestões
Oh-Barcelona.com
23 de may de 2013
Everybody loves a photo OF the Sagrada Familia. But the view FROM the church is pretty spectacular as well!
GowithOh
3 de may de 2013
One of the most famous sights in Europe - it's Antonio Gaudí's Sagrada Familia in Barcelona!
Localização
Mapa
Endereço

Carrer Provença, 450, 08025 Barcelona, Reino da Espanha

Obter instruções
Horário
Mon-Sun 9:00 AM–8:00 PM
Referências

Sagrada Família (Templo Expiatorio de la Sagrada Familia) on Foursquare

Templo Expiatório da Sagrada Família on Facebook

Hotéis nas imediações

Ver todos os hotéis Ver todos
Accomodation Apartments Plaza Catalunya

de partida $194

Catalonia Square Hotel

de partida $301

Room Mate Pau

de partida $261

BCN Urban Hotels Gran Ducat

de partida $164

Hotel Denit Barcelona

de partida $184

Apartments Sant Jordi Fontanella

de partida $132

Vistas nas proximidades recomendados

Ver todos Ver todos
Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Hospital da Santa Cruz e São Paulo
Espanha

20px

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Teatre Nacional de Catalunya
Espanha

Teatre Nacional de Catalunya é uma atração turística em Barcelona, Esp

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Design Museum of Barcelona
Espanha

Design Museum of Barcelona é uma atração turística em Barcelona, Esp

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Torre Agbar
Espanha

A Torre Agbar localiza-se na cidade de Barcelona, na Espanha.

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Casa Milà
Espanha

Casa Milà, também conhecida como La Pedrera (catalão para 'A Pe

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Casa Calvet
Espanha

A Casa Calvet é um edifício desenhado por Antoni Gaudí situado na ci

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Arco do Triunfo (Barcelona)
Espanha

link= Nota: Para a estação do Metropolitano de Barcelona, veja E

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Palau Robert
Espanha

Palau Robert é uma atração turística em Barcelona, Espanha

Similar atrações turísticas

Ver todos Ver todos
Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Basílica de Santo Apolinário Novo
Itália

Basílica de Santo Apolinário Novo, Basílica de Santo Apolinário, o Nov

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Basílica de Santo Apolinário em Classe
Itália

A Basílica de Santo Apolinário em Classe (em italiano: Basilica di S

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Basílica di San Miniato al Monte
Itália

A Basílica di San Miniato al Monte fica no topo de um dos mais altos

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Sant'Andrea delle Fratte
Itália

Igreja de Santo André dos FradesSant'Andrea delle Fratte

Adicionar a lista de desejos
Estive aqui
Visitado
Cathedral of San Juan Bautista
Porto Rico

Cathedral of San Juan Bautista é uma atração turística em San Jua

Ver todos os lugares semelhantes