Residências reais em Versalhes

Palácio de Versalhes

8.8/10

O Palácio de Versalhes (em francês Château de Versailles) é um château real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas actualmente um subúrbio de Paris. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até que a família Real foi forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.

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Em 1660, de acordo com os poderes reais dos conselheiros que governaram a França durante a menoridade de Luís XIV, foi procurado um local próximo de Paris mas suficientemente afastado dos tumultos e doenças da cidade apinhada. Paris crescera nas desordens da guerra civil entre as facções rivais de aristocratas, chamada de Fronde. O monarca queria um local onde pudesse organizar e controlar completamente um Governo da França por um governante absoluto. Resolveu assentar no pavilhão de caça de Versalhes, e ao longo das décadas seguintes expandiu-o até torná-lo no maior palácio do mundo. Versalhes é famoso não só pelo edifício, mas como símbolo da Monarquia absoluta, a qual Luís XIV sustentou.

Considerado um dos maiores do mundo, o Palácio de Versalhes possui 2.000 janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. É um dos pontos turísticos mais visitados de França, recebe em média oito milhões de turistas por ano e fica a três quarteirões da estação ferroviária. Construído pelo rei Luís XIV, o Rei Sol, a partir de 1664, foi por mais de um século modelo de residência real na Europa, e por muitas vezes foi copiado.

Incumbido da tarefa de transformar o que era o pavilhão de caça de Luís XIII, no mais opulento palácio da Europa, o arquiteto Louis Le Vau reuniu centenas de trabalhadores e começou a construir um novo edifício ao lado do já existente. Foram assim realizadas sucessivas ampliações - apartamentos reais, cozinhas e estábulos - que formaram o Pátio Real.

Le Vau, não conclui as obras. Após sua morte Jules Hardouin-Mansart tornou-se, em 1678, o arquiteto responsável por dar continuidade ao projeto de expansão do palácio. Foi quem construiu o Laranjal, o Grande Trianon, as alas Norte e Sul do Palácio, a Capela e a Galeria de Espelhos (onde foi ratificado, em 1919, o Tratado de Versalhes). A última, trata-se de uma sala com 73m de comprimento, 12,30m de altura e iluminada por dezessete janelas que têm a sua frente, espelhos que refletem a vista dos jardins.

Em 1837 o castelo foi transformado em museu de história. O palácio está cercado por uma grande área de jardins, uma série de plataformas simétricas com canteiros, estátuas, vasos e fontes trabalhados, projetados por André Le Nôtre. Como o parque é grande, um trem envidraçado faz um passeio entre os monumentos.

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O primeiro château

A primeira menção à aldeia de Versalhes encontra-se num documento datado de 1038, a “Charte de l'abbaye Saint-Père de Chartres” (Carta de Direitos da Abadia de Saint-Père de Chartres). Entre os signatários da Carta encontra-se um Hugo de Versalhes, a partir do nome da aldeia.

Durante este periodo, a aldeia de Versalhes, centrada num pequeno castelo e igreja, e a área envolvente eram controladas por um senhor local. A localização da aldeia, na estrada de Paris para Dreux e para a Normandia, trouxe-lhe alguma prosperidade, mas devido à Peste negra e à Guerra dos Cem Anos, esta seria largamente destruida e a sua população severamente diminuida.

Em 1575, Albert de Gondi, um Florentino, comprou o senhorio. Gondi havia chegado a França com Catarina de Medici e a sua família tornou-se influente na Assembléia dos Estados Gerais francesa. Nas primeiras décadas do século XVII, Gondi convidou Luís XIII para várias caçadas na floresta de Versalhes. Em 1624, depois desta introdução inicial à área, Luís XIII ordenou a construção de um castelo de caça. Desenhada por Philibert Le Roy, a estrutura foi construida em pedra e tijolo encarnado com um telhado de ardósia. Oito anos depois, em 1632, Luís XIII conseguiu a escritura e posse de Versalhes a partir da família Romonov, e começou a fazer ampliações ao palácio.

Expansão sob Luís XIV

O sucessor de Luís XIII, Luís XIV, teve um grande interesse em Versalhes. Com início em 1669, o arquitecto Louis Le Vau, e o arquitecto paisagista, André Le Nôtre, começaram uma renovação detalhada do palácio. Era desejo de Luís XIV criar um centro para a Corte Real. Depois do Tratado de Nijmegen, em 1678, a Corte e o governo da França começaram a mudar-se para Versalhes. A Corte estabeleceu-se oficialmente no palácio no dia 6 de Maio de 1682.

Mudando a Corte Real e a sede do Governo da França, Luís XIV esperava ganhar grande controle do país pela nobreza, distanciando-se ele próprio da população de Paris. Todo o poder da França emanava desse centro: aqui existiam gabinetes governamentais, tal como casas para milhares de cortesãos, os seus acompanhantes, e todos os funcionários da Corte. Ao requerer que nobres de certa posição e estatuto passassem um período do ano em Versalhes, Luís evitava que desenvolvessem o seu próprio poder regional às custas do seu Poder Real e mantinha-os a concertar esforços na centralização do governo francês numa Monarquia Absoluta. A meticulosa e estrita etiqueta que Luís XIV estabeleceu, a qual deixou os seus herdeiros estupefactos com o seu pequeno tédio, era resumida nos elaborados procedimentos que acompanhavam o seu acordar pela manhã, conhecidos como o Levée, dividido no petit lever para os mais importantes e no grand lever para a restante Corte. Como outras maneiras da Corte francesa, foi rapidamente imitada noutras Cortes da Europa.

Evolução de Versalhes

Depois da morte do Cardeaal Jules Mazarin, em 1661, o qual havia servido como Co-regente durante a menoridade de Luís XIV, este monarca (nascido a 5 de Setembro de 1638 em Saint-Germain-en-Laye; falecido a 1 de Setembro de 1715 em Versalhes; reinou de 14 de Maio de 1643 a 1 de Setembro de 1715) começou o seu reinado pessoal por jurar ser o seu próprio primeiro-ministro. A partir deste ponto, a construção e expansão de Versalhes tornou-se sinónimo do absolutismo de Luís XIV.

Depois da desgraça de Nicolas Fouquet em 1661 — Luís afirmou que o Ministro das Finanças não estaria apto a construir o seu grande Château de Vaux-le-Vicomte se não se tivesse apropriado indevidamente de fundos da Coroa — Luís XIV confiscou a propriedade de Fouquet, empregando os talentos do arquitecto Louis Le Vau, do arquitecto paisagista André Le Nôtre, e do pintor/decorador Charles Le Brun para as suas campanhas de construção em Versalhes e noutros lugares. Para Versalhes, fizeram quatro campanhas de construção distintas (depois de alterações e ampliações menores executadas no palácio e nos jardins em 1662-1663), todas elas correspondendo às guerras de Luís XIV.

Primeira campanha de construção

A Primeira Campanha de Construção consistiu em alterações no palácio e jardins em ordem a acomodar os 600 hóspedes convidados para a festa Plaisirs de l’Île enchantée, de 1664.

Esta festa realizou-se entre 7 e 13 de Maio de 1664, ostensivamente para celebrar as duas rainhas de França — Ana da Áustria, a Rainha Mãe, e Maria Teresa de Espanha, a esposa de Luís XIV — embora na verdade fosse dada para celebrar a amante do Rei, Louise de La Vallière. Os Plaisirs de l’Île enchantée são muito frequentemente considerados como o prelúdio da Guerra de Devolução, a qual Luís XIV travou contra a Espanha — ambas as rainhas eram espanholas por nascimento — entre 1667 e 1668).

Segunda campanha de construção

A Segunda Campanha de Construção (1669-1672) foi inaugurada com a assinatura do Tratado de Aix-la-Chapelle (o tratado que pôs fim à Guerra de Devolução). Durante esta campanha, o palácio começou a assumir muita da sua aparência actual. A modificação mais importante foi o envolvimento por LeVau do pavilhão de caça de Luís XIII. O envolvimento, frequentemente referido como palácio novo para distingui-lo da estrutura antiga de Luís XIII — rodeava o pavilhão de caça por Norte, Oeste e Sul. A nova estrutura providenciava novos alojamentos para o Rei e para membros da sua família.

O primeiro-andar do palácio novo, o piano nobile, foi dado inteiramente a dois apartamentos, um para o Rei e o outro para a Rainha. O Grand appartement du roi ocupava a parte Norte do palácio novo e o Grand appartement de la reine a parte Sul. A parte Oeste do envolvimento foi destinada, quase inteiramente, a um terraço, o qual foi destruido mais tarde para dar lugar à Galerie des glaces (Galeria dos Espelhos). O piso térreo da parte Norte foi ocupado pelo appartement des bains (apartamento dos banhos), o qual incluia uma banheira octogonal submersa com água quente e fria corrente. O irmão e a cunhada do Rei, os Duques de Orleães, ocupavam apartamentos no piso térreo da parte Sul do palácio novo. O piso superior do palácio novo estava reservado para as salas privadas do Rei, a Norte, e para as salas dos filhos do Rei acima do apartamento da Rainha, a Sul.

É significativo para o desenho e construção dos grandes apartamentos que as salas de ambos tenha a mesma configuração e dimensões, uma característica sem precedentes no desenho dos palácios franceses. Na sua monografia “Il n’y plus des Pyrenées: the Iconography of the first Versailles of Louis XIV,” Kevin Olin Johnson põe a hipótese de a similaridade sem precedentes dos apartamentos do Rei e da Rainha representar o desejo de Luís XIV estabelecer a sua esposa como Rainha de Espanha. Sendo assim, seria criada uma espécie de Dupla-Monarquia. A junção dos dois reinos era largamente vista, segundo o argumento de Luís XIV, como recompensa por Filipe IV de Espanha ter falhado no pagamento do dote de Marie-Thérèse, o qual estava entre os termos da capitulação com a qual Espanha concordou na promulgação do Tratado dos Pirinéus (1659, finalizando a guerra entre a França e a Espanha, que se travava desde 1635). Luís XIV viu o acto do seu sogro como uma brecha no tratado, e consequentemente engrenou na Guerra de Devolução.

Tanto o grand appartement du roi como o grand appartement de la reine formavam um conjunto de sete salas enfileiradas. Cada sala era dedicada a um dos "Corpos Celestes", personificados pelas divindades Greco-Romanas apropriadas. A decoração das salas, a qual foi conduzida sob a direcção de Charles Le Brun, descrevia as “heróicas acções do Rei” e eram representadas em forma alegórica pelas acções de figuras históricas do passado (Alexandre, o Grande, Augustus, Cyrus, etc.).

Terceira campanha de construção

Com a assinatura do Tratado de Nijmegen (1678, o qual pôs fim à Guerra Franco-Alemã de 1672-1678), começou a Terceira Campanha de Construção em Versalhes (1678-1684). Sob a direcção do arquitecto Jules Hardouin Mansart, o Palácio de Versalhes adquiriu muito do aspecto que apresenta hoje. Em adição à Galeria do Espelhos, Mansart desenhou as alas Norte e Sul (as quais eram usadas pela nobreza e pelos Príncipes do Sangue, respectivamente), e o Laranjal. Charles Le Brun, além de estar ocupado com a decoração interior das novas adições ao palácio, também colaborou com André Le Notre no arranjo paisagístico dos jardins. Como símbolo da nova proeminência da França como uma Superpotência europeia, Luís XIV instalou oficialmente a Corte em Versalhes em Maio de 1682.

Quarta campanha de construção

Pouco depois da esmagadora derrota na Guerra da Liga de Augsburg (1688-1697) e possivelmente devido à piedosa influência de Madame de Maintenon, Luís XIV responsabilizou-se pela sua última campanha de construções em Versalhes. A Quarta Campanha de Construção (1701-1710) concentrou-se quase exclusivamente na construção da Capela Real, desenhada por Mansart e finalizada por Robert de Cotte e a sua equipa de criadores de decoração. Também fizeram algumas modificações no Petit Appartement du Roy, nomeadamente a construção do Salon de l’Oeil de Boeuf e do quarto do Rei. Com a conclusão da capela em 1710, virtualmente, toda a construção em Versalhes cessou; a construção não seria retomada em Versalhes até cerca de 20 anos depois, já durante o reinado de Luís XV.

Descrições

Grand Appartement du Roi

Como consequência do envolvimento do palácio de Luís XIII por Louis LeVau, — conhecida na época como palácio novo — o Rei e a Rainha tiveram novos apartamentos. Os Apartamentos de Estado, os quais eram conhecidos, respectivamente, como o grand appartement du roi e o grand apartment de la reine, ocupavam todo o primeiro-andar do palácio novo. O desenho de LeVau para os apartamentos de estado seguia de perto os modelos italianos do momento, como fica evidente pela localização dos apartamentos no primeiro-andar — o piano nobile — uma convenção tomada de empréstimo, pelo arquitecto, do desenho dos palácios italianos dos séculos XVI e XVII .

O plano de Le Vau consistia numa fileira de sete salas, cada uma dedicada a um dos planetas e associada à divindade romana associada. O plano de LeVau era arrojado, com um sistema heliocêntrico que estaa centrado no Salon d’Apollon (Salão de Apolo). Este salão foi desenhado inicialmente como quarto do Rei, mas serviu como uma sala de trono. A disposição inicial desta fila de salas era a seguinte:

  • Salon de Diane (Diana, deusa romana da caça; associada com a Lua)
  • Salon de Mars (Marte, deus romano da guerra; associado com o planeta Marte)
  • Salon de Mercure (Mercúrio, deus romano do comércio, associado com o planeta Mercúrio)
  • Salon d’Apollon (Apolo, deus greco-romano das Belas Artes; associado com o Sol)
  • Salon de Jupiter (Júpiter, deus romano da lei e da ordem; associado com o planeta Júpiter)
  • Salon de Saturne (Saturno, deus romano da agricultura e colheitas, associado com o planeta Saturno)
  • Salon de Vénus (Vénus, deusa romana do amor; associada com o planeta Vénus)

A configuração do grand appartement du roi obedecia às convenções contemporâneas em desenhos de palácios. De qualquer forma, devido à exposição, a Norte, do apartamento, Luís XIV achou as salas demasiadamente frias e optou por viver nas salas previamente ocupadas pelo seu pai. O grand appartement du roi foi reservado às funções da Corte — tais como os serões oferecidos pelo Rei no apartamento três vezes por semana.

As salas foram decoradas por Charles LeBrun e demonstravam influências italianas (LeBrun conheceu e estudou com o famoso artista toscano, Pietro da Cortona, cujo estilo decorativo do Palazzo Pitti, em Florença, LeBrun adaptou para uso em Versalhes). O estilo de quadratura dos tectos evoca a sale dei planeti que Cortona criou no Palazzo Pitti, mas o esquema decorativo de LeBrun é mais complexo. Nas suas publicações de 1674 sobre o grand appartement du roi, André Félibien descreve as cenas pintadas nos tectos das salas como alegorias narrando as “heróicas acções do Rei.” Consequentemente, as cenas encontradas com façanhas de Augustus, Alexandre, O Grande ou Cyrus, aludem aos feitos de Luís XIV. Por exemplo, no Salão de Apolo, a pintura que mostra “Augustus construindo o porto de Misenum” alude à construção doporto de La Rochelle; ou, descrito no caixotão Sul do Salão de Mercúrio está “Ptolomeu II Philadelphus na sua Biblioteca”, a qual alude à construção da Biblioteca de Alexandria e serve como alegoria à expansão que Luís XIV fez à Bibliothèque du roi. Complementando a decoração das salas, existiam peças de mobiliário em prata maciça. Lamentavelmente, devido à Guerra da Liga de Augsburg, em 1689, Luís XIV ordenou que todas as peças de mobiliário em prata fossem enviadas para a casa da moeda para serem fundidas, de forma a ajudar a pagar o custo da guerra.

O plano original de LeVau para o grand appartement du roi teve vida curta. Com a inauguração da segunda campanha de construção, a qual suprimiu o terraço que ligava os apartamentos do Rei e da Rainha, e os salões de Júpiter, Saturno e Vénus, para a construção da Galeria dos Espelhos, a configuração do grand appartement du roi foi alterada. A decoração do Salão de Júpiter foi removida e reutilizada na decoração da salle des gardes de la reine; e elementos da decoração do primeiro salon de Vénus, o qual abria para o terraço, foram reutilizados no salon de Vénus que vemos hoje.

A partir de 1678 até ao final do reinado de Luís XIV, o grand appartement du roi serviu como o local de encontro para os serões que o Rei oferecia duas vezes por semana, conhecidos somo les soirées de l’appartement. Para estas festas, as salas assumiam funções específicas:

  • Salon de Vénus': mesas de buffet eram arranjadas par expor comidas e bebidas para os convidados do Rei.
  • Salon de Diane: servia como sala de bilhar.
  • Salon de Mars: servia como salão de dança.
  • Salon de Mercure: servia como sala de jogo de cartas.
  • Salon d’Apollon: servia como uma sala de concerto ou de música.

No século XVIII, durante o reinado de Luís XV, o grand appartement du roi foi ampliado para incluir o salon de l’Abondance — antigamente o vestíbulo de entrada do petit appartement du roi — e o Salon d’Hercule — ocupando o nível da tribuna da antiga capela do palácio.

Grand Appartement de la Reine

Formando uma fila de salas paralelas às do grand appartement du roi, o grand appartement de la reine serviu como residência de três Rainhas da França — Maria Teresa de Espanha, esposa de Luís XIV; Maria Leszczynska, esposa de Luís XV; e Maria Antonieta, esposa de Luís XVI (adicionalmente, a neta por afinidade de Luís XIV, Maria Adelaide de Sabóia, enquanto Duquesa da Borgonha, ocupou estas salas entre 1697 (o ano do seu casamento) e a sua morte em 1712).

Quando Louis Le Vau completou o envolvimento do palácio velho, o grand appartement de la reine', incluindo o conjunto de sete salas enfileiradas com uma distribuição quase exacta à do grand appartement du roi. A configuração era:

  • Chapel — correspondente ao salon de Diane no grand appartement du roi
  • Salle de gardes — correspondente ao salon de Mars no grand appartement du roi
  • Antichambre — correspondente ao salon de Mercure no grand appartement du roi
  • Chambre — correspondente ao salon d’Apollon no grand appartement du roi
  • Grand cabinet — correspondente ao salon de Jupiter no grand appartement du roi
  • Oratory — correspondente ao salon de Saturne no grand appartement du roi
  • Petit cabinet — correspondente ao salon de Vénus no grand appartement du roi

Tal como a decoração do tecto do grand appartement du roi descreve as acções heróicas de Luís XIV como alegorias de acontecimentos ocorridos na antiguidade, a decoração do grand appartement de la reine descreve heroínas da mesma época e harmoniza-as com o tema geral da decoração de cada sala em particular.

Com a construção da Galeria dos Espelhos, a qual começou em 1678, a configuração do grand appartement de la reine mudou. A capela foi transformada na salle des gardes de la reine e foi nesta sala que se reutilizou a decoração do Salon de Jupiter. A Salle des Gardes de la Reine comunica com a galeria onde termina a Escalier de la Reine (Escadaria da Rainha), a qual forma um paralelo, embora de menores dimensões, com a Escalier des Ambassadeurs no Grand Appartement du Roi. A galeria também providencia acesso com o Appartement du Roi, o conjunto de salas em que Luís XIV viveu. No final do reinado de Luís XIV’, a Escalier de la Reine tornou-se a principal entrada no palácio, com a Escalier des Ambassadeurs usada em raras ocasiõe sde estado. Depois da destruição da Escalier des Ambassadeurs em 1752, a Escalier de la Reine tornou-se a mais importante entrada no palácio.

A partir de 1682, o Grand Appartement de la Reine incluia:

  • Salle des gardes de la reine
  • Antichambre (antigamente a salle des gardes)
  • Grand cabinet
  • Chambre de la reine

Com a morte de Luís XIV em 1715, a corte mudou-se para Vincennes e mais tarde para Paris. Em 1722, Luís XV reinstalou a Corte em Versalhes e iniciou alterações no interior do palácio. Entre os projectos de construção mais notáveis durante o reinado de Luís XV merece destaque o Chamber de la Reine.

Para comemorar o nascimento do único filho e herdeiro, Louis-Ferdinand, em 1729, Luís XI ordenou a redecoração completa da sala. Foram removidos elementos do Chamber de la Reine tal como tinha sido usado por Maria Teresa e Maria Adelaide de Sabóia e uma nova e mais moderna decoração foi instalada.

Durante a sua permanência em Versalhes, Maria Leszczynska (1703-1768) viveu no grand apartment de la reine, ao qual ela anexou o Salon de la Paix para servir como sala de música. Em 1770, quando a Arquiduquesa austriaca Maria Antonieta, casou com o delfim, mais tarde Luís XVI, instalou residência nestas sala. Quando Luís XVI ascendeu ao trono, Maria Antonieta ordenou que se fizessem importantes redecorações ao Grand Appartement de la Reine. Nesta época, o apartamento da Rainha alcançou a organização que podemos ver actualmente.

  • Salle des gardes de la reine — este quarto permaneceu virtualmente inalterado por Maria Antonieta.
  • Antichambre — esta sala foi convertida na antichambre du grand couvert. Era nesta sala que o Rei, a Rainha e membros da família Real jantavam em público. Ocasionalmente esta sala servia de sala de teatro para o palácio.
  • Grand cabinet — esta sala foi transformada no Salon des Nobles. Na sequência da tradição instituída pela sua antecessora, Maria Antonieta daria audiências formais nesta sala. Quando não era usada para audiências formais, o Salon des Nobles servia de antecâmara do quarto da Rainha.
  • Chambre de la reine — esta sala era usada como quarto de dormir da Rainha. Na noite de 6 para 7 de Outubro de 1789, Maria Antonieta fugiu da gentalha de Paris através de um corredor privado que ligava o seu apartamento com o do Rei.

Appartement du Roi

As salas do Appartement du Roi tinham vista para o pátio de mármore. Estas ficavam situadas no palácio velho, e tinham sido anteriormente o apartamento privado de Luís XIII. Durante a terceira campanha de construção de Luís XIV, este conjunto de salas foram ampliadas e redecoradas para o uso diário do Rei. Em 1684 o appartment du roi englobava as seguintes salas:

  • Salle des gardes — esta sala servia como sala da guarda para o corpo de guarda pessoal do Rei (esta sala tinha acesso desde a galeria e servia de patamar para a Escadaria da Rainha).
  • Première antichambre ou antichambre du grand couvert — era nesta sala que Luís XIV comia em público, numa cerimónia conhecida como o grand couvert. Adicionalmente, uma vez por semana, Luís XIV podia aceitar pessoalmente petições dos seus súbditos.
  • Antichambre des Bassans — esta sala tomou o nome de uma colecção de pinturas do mestre veneziano seiscentista, Jacop Bassano, as quais estavam expostas nesta sala.
  • Chambre du roi — este foi o quarto de dormir do Rei até 1701.
  • Salon du Roi — localizado no centro do palácio, servia para o grand levé do Rei — o ritual matutino diário no qual o Rei era vestido em público.
  • Cabinet du roi — esta sala servia de sala de conselho para Luís XIV.
  • Cabinet des termes — esta sala recebeu este nome devido à sua decoração; servia, de qualquer forma, como sala onde as perucas de Luís XIV (mais de 500) eram guardadas.

Em 1701, como parte da quarta campanha de construção de Luís XIV, a configuração do appartement du roi foi alterada e passou a ter a seguinte constituição:

  • A salle des gardes permaneceu inalterada.
  • A première antichambre ou antichambre du grand couvert permaneceu igualmente inalterada.
  • A antichambre des Bassans e o chambre du roi foram combinadas para formar a seconde antichambre — melhor conhecida como salon de l’oeil de boeuf.
  • O salon du roi foi convertido no chambre du roi.
  • O cabinet du roi e o cabinet des termes permaneceram inalterados até 1755, quando Luís XV os combinou para criar o cabinet du conseil.

Le petit appartement du Roi

Entre 1683 e 1693, durante a terceira campanha de construção de Luís XIV, o Rei ordenou a construção do appartement des collections (também conhecido como o appartement des raretés). Este apartamento consistia nas seguintes salas:

  • le Salon ovale
  • le cabinet aux tableaux
  • le cabinet aux coquilles
  • le cabinet aux médailles
  • la petite galerie (com os seus dois salões)
  • le cabinet du billard

O appartement des collections alojava as obras de arte mais raras e valiosas da colecção de Luís XIV. O acesso a estas salas só era feito por convite pessoal do Rei mas sobreviveram descrições detas colecções. Estes são alguns dos objectos alojados no appartement des collections:

  • Grandes vasos guarnecidos com ouro e diamantes
  • Bustos antigos
  • Um nef (um recipiente usado nas refeições no qual um guardanapo húmido era mantida para limpar os dedos — este tipo de recipientes eram comuns antes de comer com garfo se tornar popular) guarnecido com diamantes e rubis (este nef, o qual foi espoliado das suas jóias e fundido durante a Revolução Francesa, foi, apesar disso, descrito no tecto do salon de l’Abondance.)
  • Porcelanas chinesas e japonesas
  • Vasos cravejados com várias pedras semi-preciosas
  • Pinturas

Entre 1738 e 1760, Luís XV ordenou mudanças significativas no appartement des collections. Em 1738, o Rei ordenou a construção de um novo quarto de dormir — o nouvelle chambre — pois o velho quarto de Luís XIV era demasiado inconfortável durante o Inverno para o ritual do lévé. Cerca de 1760 a distribuição do petit appartement du roi era a seguinte:

  • La nouvelle chambre — esta sala foi construida no local da antiga sala de bilhar de Luís XIV.
  • Le cabinet de la Pendule — esta sala foi desenhada pela sobrepujança da escadaria de Luís XIII combinando-a com o cabinet aux tableaux. A sala, que servia como sala de jogo, deve o seu nome ao relógio astronómico construido por Passemant e Dauthia (o caixote em bronze dourado do relógio é da autoria de Caffieri).
  • Le cabinet des Chiens — esta sala era reservada aos cães de caça de Luís XV.
  • La salle à manger des retours de chasse — esta era uma pequena sala-de-jantar usada por Luís XV para entreter os seus amigos depois das caçadas.
  • Le cabinet intérieur du roi — foi construido em 1755 e usado como sala de trabalho privada, por Luís XV. A principal característica desta sala é a secretária de cilíndro da autoria de Oeben e Riesener, a qual, ao girar uma chave, abre o cilindro e as gavetas. Esta é a única peça de mobiliário original de Versalhes que não foi nem vendida durante a revolução nem removida do palácio.
  • La pièce de la vaisselle d'or ou le Cabinet de Mme Adélaïde — construido em 1752, depois da destruição da escalier des ambassadeurs (esta sala era originalmente um dos dois salões da petite gallerie), era nesta sala que estavam expostos os serviços de mesa de Luís XIV e onde a sua filha, Mme Adélaïde, teve a sua sala de música.
  • La Bibliothèque — datada de 1774, a biblioteca, a qual ocupava o lugar da petite gallerie — foi a contribuição mais significativa de Luís XVI para Versalhes.
  • La salle à manger aux salles neuves (também conhecida como a sala das porcelanas) — era nesta sala que a família Real fazia os seus jantares privados durante o reinado de Luís XVI. Todos os anos, durante a época do Natal, amostras das produções do ano da Fábrica de Porcelanas de Sèvres eram exibidas nesta sala. Esta sala, originalmente, era um dos dois salões da petite gallerie.
  • La salle de Billard e le salon des Jeux — estas salas foram construidas em 1795 e ocupavam parte do que fôra o apartamento de Madame de Montespan. Acedia-se a estas salas pela salle à manger aux salles neuves e eram usadas pela família Real para entertenimento de serão.

Le petit appartement de la Reine

Estas salas, situadas atrás do grand appartement de la reine, e que actualmente abrem para dois pátios interiores, foram o domínio privado das Rainhas da França, Maria Teresa , Maria Leszczyska, e Maria Antonieta. O petit appartement de la reine foi desenvolvido com as campanhas construção de Luís XIV.

Maria Teresa

Com a conclusão do envolvimento de palácio velho por LeVau, foi criado um conjunto de pequenas salas que abriam para o pátio de mármore (salas mais tarde incorporadas no appartement du roi) e para um pequeno pátio interior — à época chamado como cour de la reine. Foi netas salas que Maria Teresa levou a sua vida privada e familiar. Sobrevive muito pouca informação acerca da decoração ou da organização destas salas, devido, em grande, à sua morte em 1683. O que se sabe é que ocorreu uma redecoração destas salas em 1697 quando Maria Adelaide de Sabóia casou com o neto de Luís XIV, o Duque de Borgonha. Quando Maria Adelaide morreu em 1712, as salas foram divididas entre o Rei e vários outros residentes.

Maria Leszczyska

Desde o momento do casamento de Maria Leszczyska com Luís XV, o petit appartement de la reine passou por um determinado número de transições. Uma das mais significativas ocorreu quando foram construidas salas adicionais. Com estas novas salas, o cour de la reine foi dividido em dois pátios — o cour du dauphin (para Este) e o cour du Monseigneur (para Oeste). A respeito destas salas, Pierre de Nolhac publicou uma descrição parcial do petit appartement de la reine tal como ele se apresentava aquandoda morte de Maria Leszczynska, em 1768:

  • oratório
  • anexo ao oratório
  • boudoir
  • grand cabinet
  • sala de banho
  • laboratório (Maria Leszczyska era conhecida pelo seu forte interesse na ciência.)

Nenhuma da decoração do petit appartement de la reine — excepto uma pequena sala que comunica entre o grand cabinet e o appartement du roi — sobreviveu. Quando Maria Antonieta se mudou para estas salas em 1774, foi ordenada uma completa reorganização e redecoração destas salas, sob a direcção de Richard Mique.

Maria Antonieta

A fama do petit appartement de la reine ficou directamente nas mãos de última Rainha de França durante o Antigo Regime. O estado restaurado das salas que podemos ver actualmente em Versalhes replicam o petit appartement de la reine tal como ele provavelmente se apresentava nos dias de Maria Antonieta. As salas principais do petit appartement de la reine são:

  • cabinet doré (antigo grand cabinet de Maria Leszczyska)
  • biblioteca
  • anexo à biblioteca
  • sala de bilhar
  • cabinet de la méridienne
  • sala de banho
  • toilette à l’anglaise
  • várias salas de serviço
  • salas de diversão

Durante os dias de Maria Antonieta, estas salas serviam para a vida privada diária da Rainha. Por exemplo, de manhã, o cabinet de la méridienne, o qual fôra decorado por Richard Mique para comemorar o nascimento do delfim, era o quarto onde Maria Antonieta escolhia o vestido que usaria naquele dia.

De todas as características do petit appartement de la reine, a chamada "passagem secreta" que liga o grand appartement de la reine com o appartement du roi deve ser citada. A passagem, na verdade, data da época de Maria Teresa e sempre serviu como meio privado pelo qual o Rei a Rainha comunicavam um com o outro. Esta passagem serviu também para Maria Antonieta, que estava a dormir no chambre de la reine do grande appartement de la reine, escapar da gentalha de Paris na noite de 6 para 7 de Outubro de 1789. A entrada para esta passagem secreta é feita por uma porta localizada no lado Oeste da parede Norte do chambre de la reine.

Galerie des Glaces

Como obra central da terceira campanha de construção de Luís XIV, a construção da Galerie des Glaces — a Galeria dos Espelhos — começou em 1678. Para executar esta galeria, tal como o salon de la guerre e o salon de la paix, a qual ligava o grand appartement du roi com o grand appartement de la reine, o arquietcto Jules Hardouin-Mansart suprimiu três salas de cada apartamento tal como o terraço que separava os dois apartamentos. A principal característica da sala são os dezassete espelhos em arco que reflectem as dezassete janelas igualmente arcadas que dão vista para os jardins. Cada arco contém vinte e um espelhos com um total de 357 espelhos no conjunto da decoração da galerie des glaces.

No século XVII, os espelhos eram um dos mais dispendiosos elementos que se podia possuir e na época, a República de Veneza controlava o monopólio e a manufactura dos espelhos. Em ordem a manter a integridade da sua filosofia de mercantilismo, a qual requeria que todos os elementos usados na construção de Versalhes fossem feitos na França, Jean-Baptiste Colbert atraiu vários trabalhadores de Veneza para fazer espelhos na Fábrica Gobelins para uso em Versalhes .

As dimensões da galerie des glaces’ são 73,0 m. de comprimento por 10,5 m. de largura por 12,3 m. de altura (239,5 pés × 34,4 pés × 40,4 pés). Esta galeria é flanqueada pelo salon de la guerre (a Norte) e pelo salon de la paix (a Sul). A construção da galeria e dos seus dois salões continuou até 1684, época em que foi intensamente usado para as funções da Corte e do Estado. A decoração do tecto é dedicada às vitórias militares de Luís XIV. O presente esquema decorativo representa o último de três apresentados a este monarca. O plano decorativo original mostrava as façanhas de Apolo — o qual era consistente com o imaginário associado ao Rei-Sol, Luís XIV. De qualquer forma, quando o Rei soube que o seu irmão, Filipe d'Orleães, havia contratado Pierre Mignard para decorar o tecto da da grand galerie da sua residência, o Château de Saint-Cloud, Luís XIV rejeitou o plano. No plano decorativo seguinte eram descritas as façanhas de Hércules, como alegorias às ações de Luís XIV. Novamente, tal como o primeiro plano, o tema de Hércules foi rejeitado pelo Rei. O plano final representa vitórias militares de Luís XIV, começando com o Tratado dos Pirinéus (1659) até ao Tratado de Nijmegen (1678-1679). Desta forma, na decoração dos tectos do grand appartement du roi, LeBrun cessou de se referir ao Rei de modo alegórico. Nesta via, temas como a boa governação foram desenvolvidos com Luís XIV como figura-chave.

Durante o século XVII, a galerie des glaces foi usada diariamente por Luís XIV quando se deslocava dos seus aposentos privados para a capela. Nesta época, amontoavam-se cortesãos para verem o Rei e membros da sua família a passar e para fazerem pedidos particulares, entoando: “Sire, Marly?” De qualquer forma, de todos os eventos que transpiraram nesta sala durante o reinado de Luís XIV, a Embaixada Siamesa de 1685-1686 deve ser citada como a mais opulenta. Nesta época a galerie des glaces e os grands appartements ainda estavam equipados com mobiliário em prata. Em Fevereiro de 1715, Luís XIV recebeu a sua última Embaixada — a qual pode ser recordada como o canto do cisne para o absolutismo — na galerie des glace, foi recebido o Embaixador do Xá da Pérsia, Mohamed Reza Beg. Foi mais tarde revelado que o Embaixador era fictício e que toda a cerimónia foi orquestrada para benefício de Luís XIV (que morreu em Setembro do mesmo ano).

Nos reinados sucessivos de Luís XV e Luís XVI, a galerie de glaces continuou a servir para funções familiares e da Corte. Embaixadas, nascimentos e casamentos foram festejados nesta sala; de qualquer forma, talvez o mais célebre evento do século XVIII tenha ocorrido no dia 25 de Fevereiro de 1745: o celebrado Bal des Ifs (Baile dos Teixos). Foi durante este baile de fantasia que Luís XV, que estava vestido como um teixo, conheceu Jeanne-Antoinette Poisson d'Étiolles, que estava vestida como Diana, deusa da caça. Jeanne-Antoinette, que se tornaria amante de Luís XV, ficou mais conhecida na história como Madame de Pompadour.

No século XIX, no desfecho da Guerra franco-prussiana, o Rei da Prússia, Guilherme I, foi declarado Imperador da Alemanha — estabelecendo desta forma o (segundo) Império Alemão — no dia 18 de Janeiro de 1871, na Galeria dos Espelhos. No dia 28 de Junho de 1919, Clemenceau escolheu a Galeria dos Espelhos para assinar o Tratado de Versalhes que terminou a Primeira Guerra Mundial. A Galeria dos Espelhos ainda é posta ao serviço em ocasiões de Estado da Quinta República Francesa, tais como recepções para chefes-de-estado em visita.

Capelas de Versalhes

Um dos mais curiosos aspectos de Versalhes é a sua sucessão de capelas. No reinado de Luís XIV, Versalhes viu não menos de cinco capelas.

Primeira Capela

A primeira capela do palácio data da época de Luís XIII e estava localizada num pavilhão separado, a Nordeste do palácio (actualmente o local é ocupado por La pièce de la vaisselle d'or ou por le Cabinet de Mme Adélaïde, aproximadamente). Esta capela, a qual seguia o modelo palatino — uma capela de dois pisos, o piso superior reservado ao monarca e membros da família Real, o piso inferior usado por membros da Corte e da casa Real — foi destruida em 1665 quando a Grotto de Thétis foi construida.

Segunda Capela

A segunda capela do palácio foi criada durante a segunda campanha de construção de Luís XIV. Quando o envolvimento de Louis LeVau ficou completo, a capela estava situada no grand apartment de la reine (formando correspondência simétrica com o salon de Diane no grand appartement du roi). Esta capela de modelo palatino teve vida curta. Quando Luís XIV iniciou a terceira campanha de construção, esta capela foi convertida em salle des gardes de la reine.

Terceira Capela

Localizada próximo da nova salle des gardes de la reine, esta capela foi transitória. Pouco depois da sua construção, Luís XIV achou-a inconveniente e impraticável para as suas necessidades, tal como para as da sua Corte. Em 1682, esta sala foi convertida na grande salle des gardes de la reine (também conhecida como la salle du sacre).

Quarta Capela

Com a construção da ala Norte, foi construida uma nova capela em modelo palatino. A construção da ala Norte exigiu a destruição da Grotto de Thétis; foi neste local que se construiu a nova capela em 1682. Esta capela permaneceu em uso pela Rei e pela Corte até 1710.

Quinta Capela

Como ponto fulcral da quarta campanha de construção de Luís XIV, a capela final do Palácio de Versalhes é uma obra-prima. Com inicio em 1689, a construção foi suspensa devido à Guerra da Liga de Augsburg; Jules Hardouin-Mansart retomou a construção em 1699, continuando a trabalhar no projecto até à sua morte em 1708, após o que este foi continuado e concluido pelo seu cunhado, Robert de Cotte.

Dedicada a São Luís, a capela foi consagrada em 1710. O modelo palatino da capela é tradicional; de qualquer forma, a colonata Coríntia do nível da tribuna é de um estilo cãssico que antecipa o Neoclassicismo do final do século XVIII. O nível da tribuna é acedido pelo vestíbulo que foi construido ao mesmo tempo da capela O chão da capela é embutido com mármores multi-coloridos e nos degraus que levam ao altar está o monograma coroado de Luís XIV, com "L"s entrelaçados. Aderindo à decoração eclesiástica, a decoração da capela refere-se ao Velho e ao Novo Testamento: o tecto da nave representa "Deus Pai em sua Glória trazendo ao Mundo a promessa da Redenção” e foi pintado por Antoine Coypel; a meia-cúpula da abside foi decorada com "A Ressurreição de Cristo" por Charles de LaFosse; e, por cima da tribuna Real está "A Descida do Espírito Santo frente à Virgem e aos Apóstolos” por Jean Jouvenet.

Durante o século XVIII, a capela testemunhou muitos eventos da Corte. Foram cantados Te Deums para celebrar vitórias militares e o nascimento de filhos dos Reis; também foram celebrados casamentos na capela, tal como o casamento do delfim — mais tarde Luís XVI — com Maria Antonieta em 1770. De qualquer forma, de todas as cerimónias realizadas na capela, aquela associada à Ordem do Espírito Santo está entre as mais elaboradas.

Actualmente a capela, a qual foi re-consagrada, serve como local de concertos de câmara.

L'Opéra

Desde a época de Luís XIV, o Palácio de Versalhes queria -- e necessitava -- de um teatro permanente. Antes da construção de l’Opéra, foram construidos teatros temporários tanto nos jardins como no palácio — grands appartements, escalier des ambassadeurs, aile de Midi — onde a salle de spectacle de Luís XIV teve curta vida — la grande écurie, la cour de marbre, etc. De qualquer forma, em 1740, Luís XV ordenou que Jacques-Anges Gabriel constituísse um teatro permanente no extremo Norte da aile de Nord, no local que havia sido escolhido por Luís XIV O projecto requereu trinta anos para ficar completo baseado em restrições financeiras originadas pela Guerra dos Sete Anos e à recolocação de residentes do extremo Norte da aile de nobles. As obras de construção na Ópera começaram em 1765 e ficaram completas em 1770; à época representava o mais refinado exemplo em desenho de teatro — tendo 712 lugares, era o maior tratro da Europanaquele tempo — e actualmente permanece como um dos poucos teatros sobreviventes do século XVIII. A ópera Persée, de Lully, inaugurou o teatro de Opéra no dia 16 de Maio de 1770 em celebração do casamento do delfim — o futuro Luís XVI — com Maria Antonieta.

O desenho de Gabriel para a Opéra era único para a época, com um característico plano oval. Como uma medida económica, o chão do nível da orquestra pode ser elevado até ao nível do palco, dobrando, deste modo, o espaço do chão. Foi planeado que a Opéra serviria não somente para teatro, mas também como salão de baile ou galeria de banquetes. Construido inteiramente em madeira, a qual era pintada em falso mármore para representar pedra, a Opéra tinha excelente acústica e representa um dos mais refinados exemplares da decoração neoclássica. O tema da decoração está relacionado com Apolo e devindades Olímpicas. A decoração da Opéra foi realizada por Augustin Pajou, que executou os painéis em baixo-relevo que decoram a frente das galerias. O tecto apresenta óleos de Louis Jean Jacques Durameau nos quais Apolo e as Musas são representados.

Apesar da excelente acústica e do opulento cenário, a Opéra não foi usada frequentemente durante o reinado de Luís XVI, em grande medida devido aos custos. Por uma única actuação realizada na Opéra, eram necessárias não menos de 3.000 velas. Dado que as velas de sebo ardiam depressa e emitiam fuligem e odores desagradáveis, eram usadas velas de cera virgem. Durante o reinado de Luís XVI o preço duma vela de cera virgem representava aproximadamente aquilo que um camponês ganhava numa semana.

Quando a família Real deixou Versalhes, em Outubro de 1789, o palácio e a Opéra foram fechados. Enquanto que o palácio viu alguma actividade no tempo de Napoleão Bonaparte (redecoração de partes dos apartamentos da rainha para a Imperatriz Marie-Louise) e Luís XVIII, a Opéra não reabriu antes de 1837, quando Luís Filipe redecorou o teatro e apresentou a peça Le Misanthrope de Molière. Em 1872, durante a Comuna de Paris, a Opéra foi convertida por Edmond de Joly para uso pela Assembleia Nacional, a qual se serviu da Opéra até 1876; entre 1876 e 1879, o Senado reuniu aqui. O período entre i952 e 1957 testemunhou importantes obras de restauro da Opéra que foi recuperada para o seu estado em 1770. A Opérareabriu oficialmente no dia 9 de Abril de 1957 na presença da Rainha Isabel II do Reino Unido, com a apresentação do segundo acto da ópera Les Indes Galantes de Rameau. Dede o seu restauro, a Opéra tem sido utilizada em funções de Estado, tal como palco de uma variedade de eventos musicais e operáticos.

Foi nesta ópera que Maria Antonieta quebrou as tradições da Corte ao aplaudir os actores. De inicio foi olhada com estranheza, mas esta acção particular foi seguida por todos os espectadores em Versalhes.

História Social

As políticas de exibição

Versalhes tornou-se a casa da nobreza francesa e a sede da Corte Real, tornando-se assim o centro do Governo Francês. O próprio Luís XIV viveu ali, e simbolicamente a sala central da extensa faixa de edifícios era o quarto de dormir do Rei (La Chambre du Roi), o qual era, ele próprio, centrado na luxuosa e simbólica cama de estado, colocada entre um rico corrimão, não diferente das cercas dos altares. Todo o poder da França emanava deste centro: ali existiam gabinetes governamentais, tal como as casas de milhares de cortesãos, dos seus acompanhantes e dos funcionários da Corte.

Em vários períodos antes de Luís XIV estabelecer o seu governo absoluto, a França, tal como o Sacro Império Romano-Germânico, careceu de uma autoridade central e não era o estado unificado em que se tornaria nos séculos seguintes. Durante a Idade Média alguns nobres locais eram, por vezes, mais poderosos que o Rei da França e, apesar de tecnicamente leais ao Rei, possuiam os seus próprios locais provinciais de poder e governo. Culturalmente tinham influentes Cortes e exércitos leais a eles, não ao Rei, e o direito de cobrar as suas próprias taxas aos seu súbditos. Algumas famílias foram tão poderosas que atingiram proeminência internacional contraindo alianças por casamento com Casas Reais estrangeiras para alcançar as suas próprias ambições políticas. Os monarcas, apesar de nominalmente serem Reis da França, de facto o poder Real, por vezes, limitou-se puramente à região em volta de Paris.

Etiqueta da Corte

A vida na Corte era estritamente regulada pela etiqueta. A etiqueta tornou-se o meio de progresso social para a Corte.

Luís XIV’s elaborou regras de etiqueta que incluiam o seguinte:

  1. As pessoas que queriam falar com o Rei não podiam bater à sua porta. Em vez disso, usando o dedo mindinho da mão esquerda, tinham que arranhar suavemente a porta, até que lhes fosse dada permissão para entrar. Como resultado, muitos cortesãos deixaram crescer mais as suas unhas que outros;
  2. Uma dama nunca segura as mãos ou abraça um cavalheiro. Além de ser de mau gosto, esta prática seria impossível devido à largas saias que as rodeavam. Em vez disso, punha a mão no topo do cotovelo do cavalheiro quando passeavam pelos jardins e salas de Versalhes. Também era mencionado que às damas só era permitido tocar nas pontas dos dedos com os homens.
  3. Quando um cavalheiro se senta, desliza o seu pé esquerdo em frente do outro, pousa as mãos dos lados da cadeira e suavemente desce para a cadeira. Havia uma razão muito prática para este procedimento. Se um cavalheiro se sentasse rapidamente, as suas calças apertadas podiam rasgar;
  4. As mulheres e os homens não tinham permissão para cruzar as pernas em público;
  5. Quando um cavalheiro passava por um conhecido na rua, tinha que tirar o chapéu da cabeça até que a outra pessoa passasse;
  6. Um cavalheiro não tinha que fazer outro trabalho além de escrever cartas, dar discursos, praticar esgrima ou dança. Por prazer ocupava-se no arqueirismo, ténis em recinto fechado ou caça. Um cavalheiro também podia tomar parte em batalhas e por vezes servir como oficial público, pagando aos soldados;
  7. Os vestidos das damas não devia permitir muito mais que sentar e caminhar. De qualquer forma, elas passavam o tempo costurando, tricotando, escrevendo cartas, pintando, fazendo as suas próprias rendas e criando os seus próprios cosméticos e perfumes.[1]

Parque e jardim

Os campos de Versalhes contêm um dos maiores jardins formais alguma vez criados, com extensos parterres, fontes e canais, desenhados por André Le Nôtre. Le Nôtre modificou os jardins originais, ampliando-os e dando-lhes um sentido de abertura e escala. Também gostava de usar a luz do Sol no seu maravilhoso trabalho de arte. Criou um plano centrado em volta do eixo central do Grand Canal. Os jardins estão centrados na fachada Sul do palácio, o qual está colocado num terraço para dar uma grande vista dos jardins. Ao fundo das escadas está localizada a Fonte de Letona. Esta fonte consta uma história tomada do poema de Ovídio, Metamorfoses e servia (ainda serve) como uma alegoria às Fronda. Próxima, fica a Avenida Real ou o Tapis Vert. Rodeando este consjunto, para os lados, ficam os jardins formais. Por trás destes fica a Fonte de Apolo. Esta fonte simboliza o regime de Luís XIV, ou, o Rei-Sol. Por trás desta fonte repousa o Grand Canal. À distância, encontram-se os densos bosques dos campos de caça do Rei.

Providenciar água suficiente para abastecer as fontes de Versalhes foi um problema desde o início da construção. A água necessária para alimentar as fontes do palácio era providenciada pela, actualmente localizada em Bougival. Esta máquina era induzida pela corrente do Sena, a qual movia catorze vastas pás giratórias, sendo um milagre da moderna Engenharia hidráulica, talvez a maior máquina integrada do século XVII. A máquina bombeava água para os reservatórios de Louveciennes (onde a Madame du Barry tinha um pavilhão na década de 1760, o Château de Louveciennes). A água fluia, então, ou para abastecer a cascata do Château de Marly ou, passando através de uma elaborada rede subterrânea de reservatórios e aquedutos, em direcção às fontes de Versalhes. Apenas uma podia ser operada com caudal suficiente de cada vez, invariavelmente o local onde o rei estava.

Domínios de Maria Antonieta

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no Domínio de Maria Antonieta.]]

Os domínios de Maria Antonieta ou, em francês, "domaine de Marie Antoinette" consistem num Palacete, o Petit Trianon, Jardins e pavilhão de festas exclusivos da Rainha Maria Antonieta. Embora dentro da área do Palácio de Versalhes, possui certa autonomia em relação ao restante conjunto. Foi construído para a Rainha e era ali que ela usufruía de privacidade. Dentro do Palacete encontram-se quartos, sala de música, sala de banho, e até uma cozinh

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Dicas e sugestões
GowithOh
19 de abril de 2013
This palace is worth $2 billion in today's money! And you can go visit it during a stay in Paris. It's only 17km away!
Tim Bailey
9 de october de 2011
Find the automated ticket machines--MUCH faster than waiting in line!
Localização
Mapa
Endereço

0.1km from Rue Pierre de Nolhac, 78000 Versalhes, França

Obter instruções
Horário
Tue-Sun 9:00 AM–6:30 PM
Referências

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